quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Os Registos Akáshicos

Publicado por Verônica D'amore em 26/04/2009






Os Registos Akáshicos, também chamados “O Livro da Vida”, são um conceito teosófico que consiste no conjunto de todo o conhecimento místico, existente num plano de existência não material. O termo Akasha é a palavra em sânscrito para “céu”, “espaço” ou “éter”.



Os Registos funcionam como uma espécie de “super-computador universal”, que contém todo o conhecimento do Cosmos, incluindo a experiência humana. Como tal, estão em permanente actualização. Todo o ser vivo e não vivo contribui para estes Registos, e por isso pode ter acesso a eles. Qualquer ser humano pode tornar-se num meio físico de acesso aos Registos ao atingir o estado mental necessário, o que pode ser conseguido através de várias técnicas espirituais como yoga, pranayama, meditação, oração e visualização.



Os Registos Akáshicos contêm toda a história de todas as almas desde o início da Criação, e neles é possível encontrar a génese de todos os arquétipos e mitos que alguma vez ficaram marcados indelevelmente no comportamento e na experiência do Ser Humano. São uma fonte permanente de inspiração, de sonhos e invenções, gerando impulsos de atração e repulsa entre as pessoas.



O conceito ao longo dos tempos



Na Antiguidade, o nome de uma pessoa era símbolo da sua existência. No Egito, eliminar um nome de um registro equivalia a fazer desaparecer a existência de uma pessoa! É possível encontrar informação sobre os Registros Akáshicos no folclore, na mitologia e nos Antigo e Novo Testamentos. Esses relatos remontam até aos povos Semíticos, e incluem os Árabes, os Assírios, os Fenícios, os Babilônios e os Hebreus. Cada um destes povos alimentava a crença na existência de algum tipo de “escrituras celestiais” onde estaria registrada toda a história da Humanidade, assim como todo o tipo de informação espiritual.

Na Bíblia, a primeira referência (indireta) aos Registros Akáshicos encontra-se no Êxodo 32:32. Depois de o povo de Israel ter cometido o pecado de adorar o bezerro de ouro, Moisés intercedeu a seu favor, oferecendo-se perante Deus para assumir toda a responsabilidade e ver o seu nome riscado “do Teu livro que Tu escreveste”. Mais tarde, no Salmo 139, David faz referência ao fato de Deus ter escrito tudo sobre ele e a sua vida – até mesmo as suas imperfeições, e aquilo que ainda não fez.



Para muitos, o Livro da Vida é simplesmente um símbolo que tem as suas raízes nos registros genealógicos dos primeiros censos. As religiões tradicionais sugerem que o Livro contém os nomes de todos aqueles que merecem a salvação, literal ou simbolicamente. O Livro deve por isso ser aberto quando de um julgamento divino. No Novo Testamento, apenas aqueles cujo nome está contido no Livro serão redimidos por Cristo; os restantes não entrarão no Reino dos Céus.



Acesso aos Registos Akáshicos

Em tempos mais recentes, uma ínfima parte dos Registos Akáshicos, tem sido disponibilizada por indivíduos com uma percepção extra-sensorial invulgar. Uma dessas pessoas foi Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), mística russa que fundou a Sociedade Teosófica:



“Akasha é um dos princípios cósmicos e uma matéria plástica, criativa na sua natureza física, imutável nos seus mais elevados princípios. É a quinta-essência de todas as formas de energia possíveis, material, psíquica ou espiritual; e contem em si a semente da criação universal, que germinou sob o impulso do Espírito Divino.”



Rudolf Steiner (1861-1925), filósofo austríaco e fundador da Sociedade Antropofísica, tinha a capacidade de obter informação que estaria para além do mundo material, num mundo espiritual que era tão real para ele como o mundo físico era para todas as outras pessoas. Steiner alegou que essa capacidade podia ser desenvolvida, permitindo ver acontecimentos e informação tão concretos quanto a realidade presente:



“Um ser humano pode penetrar nas origens eternas das coisas que desaparecem com o tempo. Um ser humano pode deste modo alargar o seu poder de cognição se não estiver limitado pela evidência externa, quando se trata do conhecimento passado. Pode então ver o que não é perceptível aos sentidos, aquilo que o tempo não pode destruir. Ele move-se da História transitória para a História não transitória. Na Gnose e na Teosofia, é a chamada “Crônica Akasha”. Aquele que adquiriu a capacidade de perceber o mundo espiritual toma conhecimento dos acontecimentos passados no seu caráter eterno. Esses eventos não são mais testemunhos mortos da História, mas aparecem vivos, e de certa forma o que já aconteceu torna a acontecer perante os olhos do observador.”



No séc. XX, a maior fonte de informação sobre os Registos Akáshicos provém do trabalho de Edgar Cayce (1877-1945).



Cayce atribuiu a origem das suas vidências a duas fontes: a primeira, a mente inconsciente do indivíduo a quem se destinaria a “leitura”, a segunda, os Registos Akáshicos. Nas sessões em que era discutida a História da alma de uma determinada pessoa, Cayce começava com uma declaração do tipo “Sim, temos perante nós os registros da entidade conhecida por ou chamada de, (nome da pessoa) ”.



Cayce descreve o acesso a esses registros da seguinte forma:



“Vejo-me como um pequeno ponto fora do meu corpo físico, que permanece imóvel perante mim. Sinto-me oprimido pela escuridão, por uma sensação terrível de solidão. Subitamente, estou consciente de um raio de luz branca. Enquanto pequeno ponto, sigo essa luz, sabendo que a alternativa é perder-me. Enquanto me movo pelo caminho da luz, torno-me gradualmente consciente dos vários níveis através dos quais há movimento. Nos primeiros níveis existem formas vagas, grotescas, como as que se vêem nos pesadelos.



A seguir, começam a aparecer formas humanas, com alguma parte do corpo aumentada. Depois surgem formas com uma espécie de manto acinzentado, movendo-se para baixo. Gradualmente, essas formas tornam-se mais claras, e começam a mover-se para cima.



Nessa altura, surgem os contornos de casas, paredes, árvores, etc., mas tudo está estático. À medida que vou passando, há mais luz e movimento, naquilo que parece ser uma cidade normal. Torno-me consciente dos sons, primeiro, indistinguíveis, depois música, riso, canto dos pássaros. Há mais luz, as cores tornam-se mais belas, e a música é maravilhosa. Subitamente, estou diante de um grande salão de registros. É um espaço sem paredes, sem teto, mas vejo um ancião que me entrega um grande livro, o registro do indivíduo sobre o qual pretendo obter informação. As leituras de Edgar Cayce sugerem que cada um de nós escreve a história da sua vida através dos nossos pensamentos, atos e interações com o resto da Criação.



Essa informação tem um efeito sobre nós aqui e agora. Os Registos Akáshicos têm um impacto tão grande nas nossas vidas, no potencial e nas probabilidades que atraímos para nós, que qualquer acesso que tenhamos a eles pode dar-nos um precioso conhecimento sobre a nossa natureza e a nossa relação com o Universo.





(Por Graça Morão – Comunidade Espiritual)