quarta-feira, 6 de março de 2013

Turismo Esotérico movimenta milhares de turistas todos os anos



Esse tipo de turismo movimenta milhões de pessoas em todo mundo. Segundo a Analise Regional do Turismo Brasileiro, o turismo religioso, que é um parente próximo do esotérico, foi listado em mais de 50 localidades no Brasil: padrão, ritual e de espetáculo. Comunidades inteiras vivem do turismo esotérico seja oferecendo hospedagem, alimentação, guias, lembrancinhas, etc.


As pessoas que buscam esse tipo de roteiro além dos aspectos místicos, buscam fortalecer suas crenças, “matar” a curiosidade, e ampliar seus horizontes. Várias são as cidades brasileiras que despertam a atenção dos esotéricos e místicos que procuram, além de belezas naturais, o magnetismo e as energias de lugares. O que faz uma cidade virar um centro de turismo místico ou esotérico? No caso das cinco cidades aqui selecionadas, os fatores variam: há a energia emanada por minérios (São Thomé das Letras, Aiuruoca e Alto Paraíso de Goiás), a concentração de pessoas com mediunidade (Vale do Amanhecer) e o uso de um chá em rituais (Céu do Mapiá). Em comum, há o espaço para que as pessoas atinjam um nível diferente de consciência, através de práticas como a meditação, e todas colecionam histórias e lendas muito além da imaginação.


Confirmando a tendência do homem de privilegiar determinados lugares para manter contatos com o sobrenatural, os místicos e esotéricos elegeram o sul de Minas Gerais, especialmente as cidades vizinhas à Serra da Mantiqueira, como o núcleo cósmico do planeta, ou seja, o que abriria as portas para a Nova Era ou a Era de Aquário. Cidades como são Lourenço, além das propriedades medicinais de suas águas, atrai um grande número de turistas por ser conhecida hoje como a capital espiritual do terceiro milênio. Lá está a sede da Sociedade Teosófica Brasileira – atual Sociedade Brasileira de Eubiose – que se dedica ao estudo do ocultismo, do espiritismo e das religiões. Os teósofos ou eubióticos consideram São Lourenço a capital espiritual do mundo e crêem que deverá surgir ali, no ano 2005, o Avatar Maytréia, que sintetizará os sete Avatares precedentes, dos quais Jeshua Bem Pandira (o Jesus bíblico) foi o sétimo. Seria inaugurada, assim, a Idade do Ouro e o Ciclo de Aquário, estabelecendo-se na face da Terra uma nova civilização, livre das misérias materiais e morais.Um destaque nesse Estado é a cidade de São Tomé das Letras, um dos sete pólos energéticos da Terra.


São Thomé


Muitas são as lendas e mistérios que cercam esta localidade mineira na Serra da Mantiqueira. São Thomé das Letras, que fica 1.290 metros acima do nível do mar, converteu-se no local preferido pelos ufólogos, místicos e aventureiros, que passaram a procurar a cidade em busca de energias cósmicas e telúricas, experiências extra-sensoriais e contatos com discos voadores. Para muitos dos moradores ela faz parte do seleto grupo das sete cidades sagradas do mundo (há controvérsias sobre quais seriam as outras seis) e exerce, há séculos, o papel de campo de pouso de naves extraterrestres. Para reforçar os argumentos esotéricos, moradores citam uma colina que “prende” os visitantes num labirinto e uma ladeira que faz os carros subirem quando deviam descer. Há até quem garanta haver uma conexão direta, via uma complexa rede de grutas e cavernas, entre São Thomé das Letras e Macchu Pichu, no Peru.
De concreto mesmo, há rochas, muitas rochas: a cidade foi construída sobre um imenso bloco de quartzito, daí suas construções serem todas em pedra e a região possuir uma energia diferente e muito forte, dizem os esotéricos. Hoje, São Thomé tem várias pousadas (quase todas bem rústicas) e é sede de grupos esotéricos e ufológicos. Mas o desenvolvimento teve seu preço: pedreiras chegaram muito próximas do vilarejo e acabaram até mesmo com uma cachoeira, no Vale das Borboletas.


Chapada dos Veadeiros


O coração magnético do Brasil fica aqui, dizem os esotéricos. Muita gente se mudou para lá para usufruir dessa energia emanada, segundo eles, dos cristais de quartzo que brotam em toda a cidade. Alguns abriram pousadas, outros têm lojas de cristais, outros ainda promovem meditação e experiências transcendentais. Muitos juram ter visto discos voadores. Mas não confunda: as pirâmides e cúpulas metálicas da cidade são terrenas mesmo. Essa arquitetura típica de Alto Paraíso procura guardar as boas energias – e dá um horizonte diferente a esta que é a mais alta cidade do Planalto Central, a 1700m do nível do mar. Nos arredores, a paisagem é belíssima: afinal, Alto Paraíso de Goiás é a porta de entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, repleto de cachoeiras, piscinas naturais, paredões e formações rochosas estranhas. Uma delas, veja só, chama-se Vale da Lua.
Lá estão instalados mais de 40 grupos místicos, filosóficos e religiosos, é reconhecida pelos espiritualistas de todo mundo como uma das regiões do planeta destinadas a receber seres escolhidos pelos planos superiores da vida e que podem ser classificados como os artífices da Era de Aquário. É o santuário da ecologia, do misticismo, das terapias naturais, do espiritualismo e da paz. Desde 1970, sob influência de filosofias alternativas baseadas na iminente chegada da Nova Era ou Era de Aquário, o município vem recebendo pessoas de diversos lugares do mundo, interessadas em criar as bases de uma sociedade mais voltada para a espiritualidade. Ali, pedras e flores compõem um cenário místico, originando fantásticas histórias sobre a aparição de discos voadores e seres extraterrestres na região.
Situada a 1.300 metros de altitude, Alto Paraíso fica no paralelo 14, o mesmo que atravessa a lendária cidade de Machu Picchu, no Peru. Não se trata de mera coincidência. Alto Paraíso é tida pela comunidade esotérica mundial como um dos berços da civilização do Terceiro Milênio. Considerado portão de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o município de Alto Paraíso de Goiás, localizado no distrito de São Jorge, agrega ao redor de si inúmeras cachoeiras, piscinas naturais, minas de cristais de quartzo, recantos e comunidades místicas, constituindo-se uma autêntica Trilha Astral, capaz de deixar bem “zen” o mais estressado dos viajantes. Atualmente, abriga dezenas de grupos místicos, holísticos, filosóficos e religiosos.

Serra do Roncador


A história da Serra do Roncador é marcada por aventuras, lendas e mistérios, e atrai expedições do mundo inteiro. A origem da civilização inca, o paralelo 16, o templo de Ibez, o caminho de Ió, Agartha, Shamballah, o chácra do planeta, o Portal de Aquarius, vulcões extintos, fósseis de dinossauros e discos voadores são atrativos para cientistas, curiosos e místicos de toda parte. A cidade é conhecida mundialmente como santuário místico e metafísico.
Formada por chapadões como um típico planalto, a Serra do Roncador começa na cidade de Barra do Garça, a 500 quilômetros de Cuiabá, e se estende até a Serra do Cachimbo, no Pará. É considerada por estudiosos e místicos como berço do Quinto Império, um período regido por forças etéricas que num futuro próximo marcará uma nova era, onde os conceitos espirituais prevalecerão sobre os materiais. Os sinais de antigas civilizações estão por toda a parte, o que estimula a curiosidade e imaginação das comunidades místicas instaladas na região.
Estudiosos dos mistérios da humanidade advertem que tanto brasileiros como estrangeiros devem começar a olhar o Brasil como ponto central de uma nova civilização na Terra. O nome da serra se deve ao ronco ininterrupto ouvido por toda região, que segundo os esotéricos, seria sinal de atividade intraterrestre de uma antiga civilização formada por remanescentes da Atlântida e do Império Inca. Estes últimos, prevendo a queda de seu império, refugiaram-se em bolsões no interior da Terra, lá se unindo harmoniosamente aos descendentes dos Atlantes ou fundando civilizações em outras partes do centro da Terra. Tais seres teriam uma estrutura atômica diferente da nossa, que lhes permite viver no interior do planeta. Eles formam um povo auto-suficiente, com população numerosa e alto grau de desenvolvimento mental e espiritual.

Vale do Amanhecer


Próximos de um lago, rumo a uma colina enfeitada por uma escultura vertical, centenas de homens e mulheres em roupas coloridas entoam cânticos e orações num ritual que não se vê em nenhum outro lugar do país. Seguidores de uma seita fundada no final dos anos 60 e baseada no espiritismo, eles fizeram do Vale do Amanhecer, a 25km de Brasília, um núcleo de 30 mil habitantes transbordante de fé. Rezam pela cartilha da médium e ex-caminhoneira Tia Neiva (1925-1985), que prega a devoção a espíritos diversos, incluindo os de índios, pretos-velhos e até de seres provenientes de outros planetas. Os trabalhos no templo local acontecem diariamente, a partir das 10h da manhã. Com o propósito de purificar espíritos atormentados, as sessões costumam ser bastante concorridas.

Aiuruoca


Muitos dizem que Aiuruoca, também no sul de Minas, é como a São Thomé das Letras de 20 ou 30 anos atrás: natureza intocada e energia forte emanando das muitas rochas locais. Na comparação, Aiuruoca ganha em belezas naturais – tem muito mais cachoeiras, vales e montanhas – e perde em quantidade e densidade de lendas. A parte esotérica do lugar é defendida por uma comunidade Daime e por várias pousadas que promovem encontros de meditação, vivências e mentalizações. Nada tão sobrenatural, mas a cidade tem a vantagem de oferecer serviços de melhor qualidade e de ter escapado da degradação de São Thomé.
O ponto mais famoso entre os esotéricos em Aiuruoca é o Vale do Matutu, região bem preservada que acolhe a seita Daime, templos e restaurantes vegetarianos. As atrações da cidade são em geral bem distantes entre si e para algumas trilhas e cachoeiras é preciso ter bastante fôlego. Até o Pico do Papagaio, principal cartão-postal da cidade, são quase três horas de caminhada.

Céu do Mapiá


Entre os moradores não nativos de Céu do Mapiá, no meio da Floresta Amazônica, é comum encontrar gente que foi parar no vilarejo apenas para conhecer o local e acabou encontrando uma religião e um sentido para a vida. Os cerca de mil habitantes levam uma vida comunitária (fazem mutirão semanal para grandes obras) e sustentável. Mas o que os une, principalmente, é a doutrina do Santo Daime, na qual o consumo do chá alucinógeno de ayahuasca leva a experiências divinas. A comunidade foi fundada em 1982 pelo Padrinho Sebastião (1920-1990), discípulo direto do Mestre Raimundo Irineu Serra, o criador da doutrina do Santo Daime. Por isso, é considerada a mais tradicional entre os daimistas.
A comunidade de Céu do Mapiá foi fundada pelo Padrinho Sebastião, discípulo direto do criador da doutrina do Santo Daime.
Há muitos outros roteiros a serem explorados no Brasil, mas só destacamos alguns.


FONTE:
Publicado: 12/09/2011 por Andrew
http://revistadeciframe.com/2011/09/12/turismo-esoterico-movimenta-milhares-de-turistas-todos-os-anos/