quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Alienígenas podem existir, mas não da forma como imaginamos | Jornal Ciência


Uma das perguntas mais intrigantes, mais desprovida de respostas conclusivas e que mais gera debates no mundo é: “estamos sozinhos no Universo?”. 

  Mas a pergunta que deveríamos fazer é: se os alienígenas existirem, eles serão visíveis para a nossa tecnologia? Existirão em formas que podemos conceber? Eles estão nos lugares em que estamos procurando, na hora em que olhamos para lá? É isso que questiona o Dr. Paul Davies, da Universidade Estadual do Arizona.

  A xenologia é uma disciplina muito fascinante ao lidar com todos os aspectos da vida fora da Terra. Nós todos queremos saber como são os ETs, mas antes, precisamos encontrá-los, simplesmente. E como encontrá-los? Os cientistas até hoje debatem sobre o melhor método. Para Paul, a abordagem usada pelo SETI (sigla para Search for Extra-Terrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre, um programa que emite e recebe sinais de rádio na esperança de encontrar outras civilizações) é muito limitada, por supor que os ETs se comunicam como nós.
Vamos a alguns números: a nossa galáxia tem 250 bilhões de estrelas. No Universo, há 70 sextilhões – considerando apenas as visíveis. Várias delas estão cercadas de planetas. Ou seja, o tamanho do universo é algo quase impossível de conceber tamanhas as dimensões.
Logo, as chances de que haja vida em mais algum lugar além da Terra são altas. Mas onde estão elas? Foi a pergunta feita pelo físico Enrico Fermi em 1950. Se os ETs existem, onde estão as evidências, onde estão as naves espaciais? Essas perguntas ganharam até nome: Paradoxo de Fermi – se há tantas possíveis civilizações por aí, por que nenhuma deu sinal de vida? O paradoxo inclui outra pergunta conhecida como “grande silêncio”: por que não detectamos nem sequer algum sinal, como uma transmissão de rádio?
  Milan Cirkovic, do Observatório Astronômico em Belgrado, afirma que a idade média dos planetas terrestres na Via Láctea é 1,8 bilhão de anos maior que a idade da Terra e do Sistema solar. Logo, a idade média de qualquer civilização nestes planetas deve ser proporcionalmente maior que a nossa, e, portanto, elas devem ser mais avançadas. Tamanho intervalo pode indicar que um ou mais processos devem comprometer a nossa capacidade de observar comunidades extraterrestres.

Foto: Reprodução / NASA

Se até hoje não tivemos nenhuma prova da existência de ETs, podemos concluir o seguinte:
  1 – Nós somos a primeira forma de vida inteligência a conseguir anunciar a própria existência e sair do planeta. Não existem outras formas de vida tão avançadas quanto nós ou talvez elas existam, mas estão tão isoladas e são tão raras que talvez nunca entrem em contato conosco – ou seja, na prática, elas continuam não existindo.
2 – Essas civilizações avançadas existiram antes de nós, mas todas elas, por algum motivo, desapareceram ou se desenvolveram a ponto de permanecerem invisíveis para a nossa tecnologia atual.
3 – A última opção é que já existiram as formas de vida inteligente, mas elas se depararam com algum tipo de obstáculo cósmico que ou as destruiu ou as impediu de se expandir além de uma área pequena.

Os ETs podem ser invisíveis para nós agora. Eles podem estar além da nossa compreensão – afinal, sempre procuramos por algo parecido conosco.
Eles poderiam estar nos encarando e nós simplesmente não os reconhecemos. O problema é que nós estamos procurando por algo como nós, supondo que eles têm pelo menos algo como a mesma matemática e tecnologia. Eu suspeito que poderia haver vida e inteligência lá fora em formas que nós não podemos conceber. Assim como um chimpanzé não entende a teoria quântica, poderiam haver aspectos da realidade que estão além da capacidade dos nossos cérebros”, disse Lord Martin Rees ao Message To Eagle. Lord é presidente da Real Sociedade e astrônomo britânico.
Resumindo: se os ETs existem, eles podem estar logo ali, no fim da rua. Mas nós não podemos vê-los simplesmente porque eles não são uma “vida” como nós a concebemos. Se nós não achamos nada até hoje, pode ser porque não estamos procurando a coisa certa.


fonte jornal ciencia.